Grande ABC lança estudo sobre EJA e aponta desafio para ampliar acesso à escolarização
O Consórcio Intermunicipal Grande ABC lançou, nesta
segunda-feira (9), uma nota técnica sobre a Educação de Jovens e Adultos (EJA)
na região. O estudo foi elaborado pelo Observatório de Políticas Educacionais
do Grande ABC e apresenta um diagnóstico sobre a relação entre oferta e demanda
dessa modalidade de ensino nos sete municípios.
O material foi produzido ao longo de 2025 reunindo análises
baseadas em dados demográficos do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) e em informações educacionais do Instituto Nacional de
Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Apresentada pela professora Maria
Clara Di Pierro, integrante do Grupo de Trabalho (GT) EJA do Observatório, a
pesquisa aponta que, apesar dos baixos índices de analfabetismo absoluto,
aproximadamente 700 mil pessoas com 18 anos ou mais no Grande ABC ainda não
concluíram a educação básica, o que evidencia um importante desafio para as
políticas públicas educacionais na região.
De acordo com o levantamento, a oferta atual da modalidade
atende apenas 1,7% da demanda potencial. Em 2024, o Censo Escolar registrou
cerca de 12 mil matrículas na EJA na região — número muito inferior ao
contingente estimado de pessoas que poderiam se beneficiar dessa política
educacional.
Outro dado apontado pelo estudo é a redução da oferta ao
longo da última década nas sete cidades. Entre 2014 e 2024, houve queda de
56,2% no número de matrículas, além da diminuição no número de turmas e de
escolas que ofertam a modalidade — fenômeno observado nas diferentes redes de
ensino.
Segundo a análise, essa retração foi particularmente
acentuada na rede estadual de ensino, que reduziu significativamente o número
de turmas e unidades escolares com EJA no período. Em muitos municípios, a
modalidade deixou de ser oferecida em diversas escolas, transferindo maior
responsabilidade às redes municipais.
O estudo também destaca que os Planos Municipais de Educação (PMEs) do Grande ABC incorporam metas relacionadas à erradicação do analfabetismo e à ampliação da EJA, em consonância com o Plano Nacional de Educação. Entretanto, as análises indicam que essas metas e estratégias foram pouco acionadas ao longo da última década e, na maioria dos casos, dificilmente serão alcançadas dentro do período de vigência dos atuais planos.
Acesso aos dados
Além da nota técnica, o evento apresentou um painel de dados que reúne
informações sobre a evolução das matrículas, turmas e escolas com oferta da
modalidade no Grande ABC. A ferramenta pretende ampliar o acesso a informações
qualificadas e subsidiar gestores públicos, pesquisadores e a sociedade civil
na formulação de políticas voltadas à educação de jovens, adultos e idosos.
A iniciativa integra o projeto do Observatório de Políticas
Educacionais do Grande ABC, previsto no Plano Regional de Educação (PRE),
desenvolvido em parceria entre a Universidade Federal do ABC (UFABC) e o
Consórcio ABC, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de
São Paulo (Fapesp).
O documento foi elaborado por uma equipe de pesquisadores
vinculados ao Observatório, incluindo docentes, pesquisadores e estudantes da
UFABC e de outras instituições que atuam no acompanhamento e na análise das
políticas educacionais na região.
O secretário-executivo do Consórcio ABC, Aroaldo Silva,
ressaltou que os dados comprovam a demanda expressiva por escolarização de
adultos na região. “O objetivo da apresentação da nota técnica é contribuir
para o debate público sobre o direito à educação ao longo da vida,
especialmente em um momento estratégico de avaliação dos Planos Municipais de
Educação e de discussão do novo Plano Nacional de Educação. Fortalecer a EJA
significa ampliar oportunidades de inclusão social, qualificação profissional e
participação cidadã”, afirmou.




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